Esclarecendo o artigo da revista Época

Com estas considerações não se pretende dizer que a revista Época é uma revista ruim, nem que a autora do artigo seja uma jornalista ruim. Certamente já publicaram bons trabalhos.
É dever de justiça, porém, indicar algumas imprecisões do texto intitulado "As domésticas do Opus Dei", já que acaba por deixar uma impressão bastante negativa da Prelazia, o que não corresponde à realidade. Não esgotei o tema, haveria muito mais para dizer, contudo procurei esclarecer alguns pontos. Também esta não é uma resposta oficial do Opus Dei, e sim de uma ex-numerária que conheceu a Obra por dentro.

- "As domésticas do Opus Dei"

Comecemos pelo título do artigo "As domésticas do Opus Dei":
Atualmente em nossa sociedade (observem que o artigo saiu justo na seção "Sociedade" da revista), o termo "doméstica" é considerado pejorativo pela maioria das pessoas. Tanto é assim que muitas donas de casa se referem à "doméstica" como, por exemplo, "a pessoa que me ajuda lá em casa", evitando usar "doméstica" e até outros termos como "diarista" e "empregada". Chega-se a ouvir o termo "secretária" para referir-se a esta profissão (o que acaba gerando alguma confusão).

Se assim é na sociedade atual, não poderia ser diferente no Opus Dei. Nunca na Obra se utilizou "doméstica" para falar de uma numerária auxiliar.

Por que, então, a autora usou "domésticas" na revista? Há duas possibilidades:
1ª - para chamar atenção, porque as manchetes no jornalismo devem chamar atenção (Mesmo quando se vai deixar mal alguém?)
2ª - porque esta reportagem não é imparcial.

- "O fundador do Opus Dei, o espanhol Josemaria Escrivá de Balaguer, costumava dizer que a espiritualidade é mais importante que a sabedoria para quem deseja se entregar a Deus. É o preceito de número 946 de seu livro mais popular - Caminho. Escrivá fazia uma ressalva: 'Quanto a elas (as mulheres), não é preciso ser sábias; basta que sejam sensatas'."

Vamos por partes: "Josemaria Escrivá de Balaguer, costumava dizer que a espiritualidade é mais importante que a sabedoria para quem deseja se entregar a Deus".
Costumava dizer? A palavra "costumava" indica que ele falava isto muitas vezes. Quem conhece a vida e as obras de Josemaria Escrivá sabe que esta não era uma idéia que ele "costumava" frisar.

Se fizermos uma busca pela palavra "espiritualidade" no site www.escrivaworks.org.br, que contém todos os escritos do fundador do Opus Dei, encontraremos apenas 12 citações (e nenhum delas com este sentido dado pela revista, de "que a espiritualidade é mais importante que a sabedoria para quem deseja se entregar a Deus"), enquanto a palavra "trabalho" aparece 328 vezes. Afinal, o próprio do Opus Dei é a santificação por meio do trabalho profissional e "trabalho" sim era um tema de que São Josemaria costumava falar.

O ponto 946 de livro Caminho diz o seguinte:
"Se quereis entregar-vos a Deus no mundo, mais do que sábios (quanto a elas, não é preciso serem sábias; basta que sejam sensatas), tendes que ser espirituais, muito unidos ao Senhor pela oração; deveis trazer um manto invisível que cubra todos e cada um dos vossos sentidos e potências - orar, orar e orar; expiar, expiar e expiar".

Como se vê, este ponto de Caminho fala que "ser espirituais" (ou seja, estar unido a Deus por uma vida de oração) é mais importante que ser "sábios" (ou seja, ser inteligente). Ele não afirma que desenvolver a inteligência não seja importante, mas que do ponto de vista da fé mais vale a união ao Senhor pela oração e pela expiação. Deste modo, este ponto 946 é bastante animador: para nos entregarmos a Deus, sermos santos, a inteligência avançada não é pré-requisito! Se assim fosse, o Céu estaria fechado aos poucos inteligentes, e a Igreja Católica sempre sustentou que a santidade é para todos. Se olharmos para os 12 apóstolos nos Evangelhos, veremos que muitos deles eram pescadores de pouca inteligência...

Em diversos países do mundo, sob a inspiração de São Josemaria foram criadas Universidades bem como centros de capacitação técnica em diferentes áreas. Como é possível concluir, a partir de poucas palavras, por sinal não apresentadas em seu contexto (quanto a elas, não é preciso serem sábias; basta que sejam sensatas), que no Opus Dei não se dá importância ao estudo?!? Pois na reportagem da Época se dá a impressão que de as numerárias auxiliares são privadas de toda a possibilidade de estudo e estas palavras de Caminho foram usadas para dar força ao que reportagem quer transmitir.

Caminho também não é um livro de preceitos, como se sugere no artigo: "o preceito de número 946 de seu livro mais popular". Caminho é um livro de pensamentos, conselhos, considerações, confidências de Josemaria Escrivá - o que não tem nada que ver com preceitos. Por que usar aqui a palavra "preceito"? "Preceito" dá a idéia de que o Opus Dei é um lugar cheio de regras rígidas. Idéia que não corresponde à realidade, mas é uma idéia que o artigo procurou reforçar (A troco de que?).

Ah! Também a autora esquece de comentar que Escrivá nasceu em 1902 e faleceu em 1975, tempo em que era bastante incomum que as mulheres cursassem alguma faculdade. O que contextualiza e explica bem melhor o quanto a elas, não é preciso serem sábias; basta que sejam sensatas. Mesmo assim, Josemaria Escrivá sempre promoveu a mulher (Duvida? Leia o capítulo A mulher na vida social do mundo e na vida da Igreja, do livro Questões atuais do cristianismo.)

- "A baiana Rosidalva Julião afirma que não era uma mulher sensata quando ingressou num centro do Opus Dei para lavar, limpar e fabricar os instrumentos de martírio corporal usados pela controversa organização da Igreja Católica."

Não era uma mulher sensata? E agora, já é? Esperamos que sim, mas como algumas afirmações de Rosivalda não correspondem à realidade da Obra...

"Ingressou num centro do Opus Dei para lavar, limpar e fabricar os instrumentos de martírio corporal"?
As pessoas ingressam no Opus Dei porque vêem, elas mesmas, sua vocação para trilhar este "caminho de santificação no trabalho profissional e nos deveres cotidianos do cristão" (conforme se lê na oração a São Josemaria). Ninguém - aqui se incluem as numerárias auxiliares - ingressa no Opus para "para lavar, limpar e fabricar os instrumentos de martírio corporal". Para que falar deste modo?

- "Em menos de dois anos, ex-integrantes e familiares de membros ativos do Opus Dei publicaram seis livros no Brasil. A mais recente ofensiva editorial revela a vida cotidiana das mulheres entre as paredes da Obra de Deus, tradução da expressão latina Opus Dei."

Já foram lançados, desde a década de 30, numerosos livros sobre o Opus Dei (muito mais que 6!), que explicam o que é esta Prelazia da Igreja Católica, falam da vida de seu fundador e das suas idéias assim como também há biografias de vários dos seus membros, alguns já falecidos com fama de santidade. Logicamente, nenhum destes ganhou destaque na imprensa, uma vez que seu conteúdo é cristão e nada escandaloso.

A imprensa tem dado destaque aos livros que saem contra o Opus Dei, sem ao menos mencionar alguns dos outros que foram escrito, digamos assim, a favor. Também ocorre algo semelhante com os sites. A revista Época, nesta matéria sobre a Obra, colocou por extenso o endereço do site que passa uma visão negativa da Obra mas nem mencionou o site oficial do Opus Dei ou o site dos amigos do Opus Dei (não oficial). Isto é imparcialidade?

"Mulheres entre as paredes da Obra de Deus":
Por acaso elas estão encarceradas? É claro que não! Não saem às ruas? É claro que sim! Por que a expressão "entre as paredes"? Parece que é para dizer, nas entrelinhas, que as numerárias auxiliares vivem presas... o que, mais uma vez, não tem correspondência com o real. Elas moram e trabalham nos Centros da Obra, e como qualquer pessoa que tem sua casa e seu trabalho vêm e vão quando querem e também quando precisam.

- "Seu depoimento ilumina, pela primeira vez, uma figura obscura da organização".

Figura obscura para quem? Só para quem pouco ou nada conhece do Opus Dei.

- "Rosidalva era numerária auxiliar, única categoria restrita ao sexo feminino."

"Restrita": outro termo que acaba por infundir, nas entrelinhas, a idéia de que o Opus Dei é uma organização "fechada em suas próprias regras". Enquanto, de fato, esta questão de "restrição" nem foi cogitada, afinal até agora nenhuma pessoa do sexo masculino manifestou o desejo de ser numerário auxiliar.

- "a maioria (dos numerários) desempenha suas atividades em postos estratégicos da sociedade".

Bom se fosse! Alguns numerários têm sim empregos considerados de destaque em sua profissão, a maioria têm empregos normais mesmo e alguns outros estão desempregados, procurando trabalho como acontece com praticamente todas as pessoas, cedo ou tarde. O que todos os numerários têm em comum é a preocupação de realizar bem seu trabalho profissional, porque não se pode oferecer a Deus algo mal feito.

"Postos estratégicos da sociedade" só foi escrito para fomentar ainda mais a difundida idéia de que a Obra é uma organização poderosa agindo na sociedade. Não é assim! Os fins do Opus Dei são espirituais e se algum membro se sobressai em seu campo de trabalho (justamente porque procura santificar este trabalho) poderá ser promovido segundo os critérios do local onde trabalha (Qual é o problema nisto?).

- "Boa parte dos primeiros numerários foi recrutada entre os melhores alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo."

Quem recruta é o Exército (e esta palavra, "recrutada" se repete ao longo do artigo). As pessoas ouvem falar do Opus Dei de várias formas, em geral, por meio dos próprios amigos. Aquelas que se interessam vão conhecendo mais, passam a freqüentar os meios de formação que a Obra oferece, tudo espontaneamente. Alguém já viu pessoas amarradas sendo levadas para os Centros do Opus Dei? Se vão, vão porque querem. Isto obviamente não precisaria nem estar sendo dito, porém como o bom senso tem faltado em algumas publicações sobre o Opus Dei, mais vale esclarecer...

"Entre os melhores alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo":
Quem disse? Mostrem-nos os números! Até parece...

- "De origem humilde, elas (as numerárias auxiliares) são recrutadas em zonas rurais e nas periferias das grandes cidades".

As numerárias auxiliares não são todas de origem humilde, da zona rural ou da periferia. Muitas sim, e qual seria o problema? Está a autora querendo dizer que as pessoas de poucos recursos financeiros não sabem tomar decisões e por isso outras pessoas tomam decisões por elas? (Se for isto, este ponto se tornaria bastante polêmico, porque estaria chamando os mais pobres de burros). E, para falar a verdade, há numerárias auxiliares que fizeram faculdade sim!

- "Não podem casar, namorar nem fazer sexo".

Se as numerárias auxiliares quisessem fazer isso, não teriam pedido admissão à Obra como numerárias auxiliares, oras! É uma vocação.

Esta vocação é de entrega total a Deus em nada inferior à entrega de um monge beneditino, uma passionista ou um trapista... O que o Fundador do Opus Dei recordava era justamente que a entrega total a Deus não é privilégio de sacerdotes e religiosos. A santidade também pode ser procurada pelos leigos, sem que para isto precisem abandonar seus trabalhos e atividades do dia-a-dia. O leigo deve santificar-se no mundo, na sua profissão, na sua família, no seu descanso etc, a exemplo dos primeiros cristãos. Como dizia São Paulo: "Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Cor 10, 31).

Não teria sentido dizer que uma carmelita ganha pouco, é economicamente explorada, não tem liberdade para ir ao cinema ou para doutorar-se na Universidade. Pois bem, o nível de entrega dos numerários, das numerárias auxiliares e dos adscritos - que Deus lhes pede viver com mentalidade secular, no meio do mundo - é idêntico ao dos religiosos. E as pessoas estão conscientes disto quando entram para a Obra! A vida dentro do Opus Dei só pode ser compreendida e julgada honestamente como o que realmente é: um caminho de entrega total a Deus, para procurar a santidade.

- "Ao ingressar na Obra, a aceitação das regras é automática".

Sempre que ingressamos em alguma instituição, seja ela um clube, uma Universidade ou uma academia de ginástica, a aceitação das regras é automática. Aliás, somente ingressamos em algo após conhecermos as regras. Se não concordamos com as regras, não nos interessa ingressar e não o fazemos, não é lógico? Até os punks seguem suas regras de anarquia (por mais que insistam em dizer que são contra todas as regras...).

- Uma delas (das regras) é doar o salário. Como a própria organização as remunera, elas vivem uma situação ambígua: nem sequer chegam a receber o dinheiro e passam a depender da administração para todas as suas necessidades".

Se ela sabia que essa era a regra (que não é bem assim, já veremos) e não concordava, por que entrou para o Opus Dei? Por que não foi procurar outro lugar ou outro emprego?

Depois, vamos esclarecer uma coisa: os membros do Opus Dei não doam seu salário inteiro para a Obra e ficam sem nada. Com seu salário, cada um se mantém. Ninguém tem casa, comida etc de graça, tem? Com os membros do Opus Dei não é diferente, são cidadãos comuns e, portanto, pagam pessoalmente suas contas e suas despesas.

- "Eu era uma escrava", afirma Rosidalva.

Metáfora usada para comover. As numerárias auxiliares não são escravas, nem nunca foram tratadas como escravas. São parte da família que é o Opus Dei e como tal são tratadas: com respeito e carinho.

Ela não está sendo original ao dizer isto, este tipo de frase já virou um chavão na boca dos que querem denegrir a Obra.

A respeito disso já disse outra ex-numerária auxiliar, que não viu nem vê as coisas como Rosidalva:
"Por fim, quero lembrar palavras de um ex-numerário, o qual disse que as numerárias auxiliares eram verdadeiras escravas. A ele eu digo: feliz corrente a desta escravidão, pois ela deve mesmo é prendê-las (as auxiliares) às mãos de Jesus. E que outras mãos seriam melhores?" (para ver o relato completo: "Fui da Obra! Que alegria.").

- "Diziam que meu salário era para Deus. Mas eu tinha de assinar os recibos."

Não se diz no Opus Dei que o salário é para Deus. Deus não precisa de dinheiro, precisa? Mas as atividades que o Opus Dei promove, em vários países, muitas vezes sim. E é isso o que se explica na Obra e se faz com parte do dinheiro dos seus membros: o que eles não utilizam para seu próprio sustento (inclui-se aqui não apenas o estritamente necessário para a sobrevivência, mas tudo o que faz parte de uma vida cristã digna, sem luxos, naturalmente) é encaminhado para manter estas atividades.

"Tinha de assinar os recibos"?
Alguém amarrava a mão dela para isto? E as roupas que ela comprou durante o tempo em que estava na Obra, os ônibus que tomou etc, foram pagos com que dinheiro? Como ela pode dizer "não via a cor do dinheiro"? Todas estas coisas certamente foram pagas por ela, com o dinheiro dela mesma, que ela recebeu! Então, assinar o recibo não está nada mal, pelo contrário.

- "Conheci uma auxiliar no ponto de ônibus (...)".

Aí mais uma prova, desta vez dada pela própria Rosivalda, que as numerárias auxiliares saem de casa e saem sozinhas, como qualquer pessoa normal e não ocorre como aparece no artigo "Elas raramente saem às ruas. Quando isso acontece, costumam ser acompanhadas".

- "Uma vez por semana, as auxiliares são submetidas à 'conversa fraterna'. No ritual contam à 'diretora espiritual' tudo o que pensaram e sentiram, usando o que o fundador chamava de 'sinceridade selvagem'".

Na Obra ninguém é " submetido" a nenhum "ritual". As pessoas vão livremente à direção espiritual em busca de um conselho amigo, fraterno, que lhes faça crescer em sua vida de oração, de trato com Deus. A direção espiritual, que nada mais é que uma conversa com um padre ou outro leigo, não é algo inventado pelo Opus Dei, é algo que sempre existiu na Igreja. Santo Ambrósio, por exemplo, foi diretor espiritual de Santo Agostinho.

Se a sinceridade é necessária entre pais e filhos, entre amigos etc, como não ser sincero na direção espiritual?

- Sobre as mortificações, cilício e disciplinas de que fala a reportagem, nada melhor que ler a entrevista do Padre Michael Barrett: O Opus Dei e a mortificação corporal.

- "ela diz ter decidido escrever o livro 'para conseguir viver'".

Escreveu para ganhar dinheiro, tudo bem, é justo que façamos um trabalho e recebamos por ele. Mas a imagem que ela passa do Opus Dei deixa muito a desejar e, em ocasiões, não é verdadeira.

- "Opus Dei - Libertem Tais!!!"

Esta campanha não razão de ser, já que a Taís não está presa, está na Obra de livre e espontânea vontade, como aparece no próprio artigo.

- Escrivá "apoiou a ditadura franquista na Espanha".

Esta é uma grande mentira, que infelizmente circula por aí. São Josemaria não falava em política! De fato viveu na época de Franco, mas daí a apoiá-lo...

- "Mas esta (O Código Da Vinci) era uma obra de ficção. A série de livros de não-ficção (sobre o Opus Dei) só foi possível no Brasil por causa da Internet".

Como assim? Há livros - em papel - publicados sobre o Opus Dei, no Brasil, desde quando o fundador ainda era vivo.

- "Grupo de mães de famílias prejudicadas pelo Opus Dei".

Estas mães se sentem prejudicadas, mas seus filhos, maiores de idade, estão contentes por serem membros do Opus Dei e por isso ali permanecem. Às vezes, as sogras se sentem prejudicadas pelo genro (ou pela nora) e dele (ou dela) falam mal, algo semelhante parece ocorrer aqui nestes casos.

- "O Opus Dei, procurado por ÉPOCA por meio de seu escritório de comunicação, em São Paulo, não quis dar entrevista. Tais, a filha do casal Josefa e Francisco, marcou entrevista para as 18 horas do dia seguinte ao primeiro contato. No horário marcado, disse que não iria falar."

Qualquer pessoa sensata negaria uma entrevista ao veículo que já se mostrou hostil ao Opus Dei em reportagem anterior. Na ocasião passada, membros do Opus Dei estiveram à disposição da revista para entrevistas e esclarecimentos, porém Época conseguiu desperdiçar a chance de aprofundar seu conteúdo sobre o Obra. Dedicou-se a perguntas superficiais como "Você é virgem?" etc e acabou deixando em suas páginas uma imagem negativa do Opus Dei.

- "O Opus Dei é a única prelazia pessoal da Igreja Católica. Esse status o torna mais influente que qualquer um dos movimentos conservadores aninhados no amplo regaço do catolicismo. Como prelazia, o Opus Dei não tem limite de território. Circula na sociedade mundana protegido pelo escudo milenar da Igreja Católica. Mas só responde a seu prelado."

Há na Igreja várias prelazias territoriais, no momento o Opus Dei é a única prelazia pessoal, mas nada impede que surjam outras.

O fato de ser uma prelazia pessoal nada tem que ver com poder, o termo "pessoal" indica que o Prelado é responsável, como um pai, por cada um dos membros da prelazia independentemente do território a que pertençam. Ou seja, todos estão unidos ao Prelado e a ele respondem. Agora, esta resposta diz respeito apenas à vida de oração e de trato com Deus, quando o prelado ajuda a todos a viverem bem sua fé católica dentro da espiritualidade específica da Obra (santificação do trabalho).

Os membros do Opus Dei são católicos normais e, como todos os bons católicos, estão atentos e obedecem o bispo da sua Diocese. Aliás, a Obra nunca começou as suas atividades em uma cidade sem o prévio conhecimento e aprovação do bispo do local.

Porque chamar o Opus Dei de conservador? Na Obra não se fala nada mais nada menos do que está no Catecismo da Igreja Católica. Há uma só Igreja Católica, com uma só doutrina, e não há sentido em separar seus movimentos, congregações etc em "conservadores" e "progressistas".

- "E ele só presta contas ao papa. Por esses privilégios especiais, concedidos à organização pelo papa João Paulo II, em 1982, seus inimigos costumam dizer que o Opus Dei é 'uma igreja dentro da Igreja'".

Em nível universal, o Opus Dei presta contas ao Papa, em nível local aos bispos das dioceses onde está presente. Não existe isso de "só presta contas ao papa". Quais são esses "privilégios especiais" que a revista não cita?

- "Seu fundador, Josemaria Escrivá, foi canonizado em 2002, menos de 30 anos depois de sua morte, período rápido para a média na Igreja Católica. Basta lembrar que Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro, morreu em 1822 e só foi canonizado neste ano - quase dois séculos mais tarde".

Também basta dizer que existem vários livros escritos por Josemaria Escrivá, além de muitos filmes onde se vê o próprio santo agindo e falando. Tudo isto facilita muito o processo de canonização, que ocorre com mais rapidez. Frei Galvão faleceu em 1822 e nem o cinema havia sido inventado naquela época...

- "Em outras palavras, a CNBB não tem nenhuma autoridade para interferir nos assuntos internos do Opus Dei".

Esses "assuntos internos" são, por exemplo, a vida de oração e penitência dos membros do Opus Dei, a escolha que fizeram livremente de pertencerem a Prelazia. São assuntos realmente internos, que dizem respeito à consciência e à liberdade de cada um. A CNBB disse que não tem autoridade pois nenhum órgão tem autoridade de tirar a liberdade dos católicos que vivem de acordo com as normas da sua Igreja.

- "Ex-membros do Opus Dei têm denunciado - insistentemente - que foram 'pressionados e manipulados' para entrar na Obra."

Outros ex-membros têm agradecido muito à Obra o tempo que ali passaram e não se sentiram em nada pressionados, nem para entrar nem para sair da instituição. Exemplos disso são alguns dos relatos publicados na seção "Obrigada, Opus Dei!" do site Opus Alegria.

- "Será que alguém tem vocação para lavar louça e limpar banheiro? Eu queria estudar"

Sim, muitas pessoas sentem esta vocação profissional de cuidar do lar. Foi o que fez a Mãe de Deus e nada há de vergonhoso ou inferior nestas atividades. Mas a vocação da numerária auxiliar é muito mais que isto, é vocação à santidade e não a "lavar louça e limpar banheiro".

Ser numerária auxiliar não impede ninguém de estudar. Dentro da própria Obra se lhes dá a oportunidade de melhorarem seus conhecimentos gerais, por meio de aulas e palestras. Além disso, muitas numerárias auxiliares têm feito cursos de aprimoramento na área de hotelaria e outras áreas afins, o que lhes permita trabalhar melhor dentro da sua vocação profissional.

Parece oportuno também "revelar" que as numerárias e os numerários, tenham eles graduação, mestrado ou doutorado (tanto faz!) também realizam este tipo de trabalho nos Centros do Opus Dei - ainda que a eles dediquem menos tempo. Não são apenas as numerárias auxiliares, os residentes têm também suas tarefas para cuidar do Centro e entre todos se faz o que é preciso para manter o ambiente limpo e organizado.

- "Ela afirma só ter conseguido abandonar o Opus Dei depois de sete anos, em 2002. 'Percebi que não adiantava continuar repetindo que não tinha vocação', diz. 'Disse à diretora que tinha mentido. Que não era casta antes de chegar à Obra, que tinha tido vários homens, era muito pior que Maria Madalena'".

O Opus Dei não tem nenhum interesse em que pessoas sem vocação façam parte da Prelazia. Se até nas empresas os funcionários que não tem o perfil são despedidos, que interesse teria a Obra em manter consigo pessoas que não concordam, não entendem, não se encaixam na proposta de santificação por meio do trabalho profissional? Se os empreendimentos humanos são importantes e tratados com cuidado, muito mais os sobrenaturais!

Mentir? Sem comentários...

- "Me deram R$ 350 e me botaram na rua uma semana depois", afirma.

Não era ela que estava louca para sair? Por que diz "me botaram na rua"?

Este valor de R$ 350, em 2002, corresponderia talvez ao salário dela, não sei. Mas se tinha carteira assinada (e tinha) poderia recorrer ao seguro desemprego até encontrar outro trabalho, ou seja, não ficaria tão desamparada como pode parecer à primeira vista.

- "No Opus Dei, ela só podia usar o uniforme azul ou roupas em tons pastel. No lançamento do livro, vestiu-se de vermelho".

Os uniformes usados no Opus Dei são de cores variadas, dependem do local e das escolhas das pessoas que ali trabalham. Só podia usar roupas em tons pastel? Só me falta agora dizerem que é preceito do Opus Dei usar roupas em tons pastéis... Absurdo!

Danielle Jung

Graduada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda, pela PUCPR
Pós-graduada em Comunicação para o III Milênio, pela PUCPR
E, neste contexto, vale a pena dizer: ex-numerária do Opus Dei, tendo permanecido na Obra por 8 anos e dela saído
com boas recordações, a ponto de continuar freqüentando o Centro do Opus Dei até hoje.

 

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