Alexandre Marcelo escreveu ao Opus Alegria: Pedro Perri é supernumerário do Opus Dei e suas duas irmãs são numerárias. Neste relato eles nos falam do grande carinho com que sua mãe – também supernumerária –, Lúcia Ferreira Perri, é tratada, especialmente nos últimos anos, ou seja, desde que lhe diagnosticaram a doença de Alzheimer. Além da dedicação de toda a família (filhos, nora, netos...), Lúcia conta com o apoio dos amigos e da Obra, sua “família sobrenatural”.
Tenho buscado informações na internet, e cada vez mais verifico a falta de veracidade dos acusadores do Opus Dei. Tenho entrado em contato com muitos membros e simpatizantes do Opus Dei por via virtual, e constato sempre sua fé madura e seu amor pela Igreja.”
Algum tempo depois, recebemos dele o relato que publicamos a seguir, onde deixa transparecer sua fé e seu amor à Igreja Católica – una, em seus múltiplos carismas.
Motivos familiares levaram à investigação (Lavagem cerebral no Opus Dei?)
Não pertenço ao Opus Dei, e até pouco tempo atrás não sabia quase nada sobre este carisma. Motivos familiares me levaram a acompanhar com interesse as recentes polêmicas que envolvem o Opus Dei. Participo do Caminho Neocatecumenal, um dos novos carismas da Igreja Católica. Agora que passei a conhecer melhor o Opus Dei, percebo que existe uma grande identidade entre os dois carismas.
Dentre as acusações feitas ao Opus Dei, uma me chamou particularmente a atenção, uma vez que contraria totalmente minha experiência de fé. Diz-se que um dos métodos utilizados pelo Opus Dei para "lavar o cérebro" de seus membros e "fabricar" vocações é dizer aos jovens que sentem em si a vocação de participar do Opus Dei como numerários que não devem "deixar Deus passar em vão, talvez Ele nunca passe novamente em sua vida". Com base em minha experiência pessoal, posso garantir que esta afirmação, longe de ser uma espécie de "lavagem cerebral", traduz uma profunda realidade.
O fato de sermos cristãos, de termos tido experiências profundas de fé, não depende dos nossos méritos, de nosso voluntarismo, mas sim de termos sido chamados por Deus, de ele ter feito sua obra em nós. Quando meus pais me obrigaram, termo que não tenho medo de utilizar, pois foi realmente uma graça para mim, a participar das catequeses iniciais e a iniciar o Caminho Neocatecumenal, tinha 14 anos de idade e vivia uma situação de timidez patológica e de grande imaturidade. No Caminho Neocatecumenal falei em público pela primeira vez, numa assembléia pequena, aprendi a expor meus problemas, a sair do meu egoísmo e ver também problemas de outras pessoas. Foi uma experiência profunda da realidade da vida que produziu em mim um grande amadurecimento.
Vivendo no Caminho Neocatecumenal e recebendo o apoio de minha comunidade neocatecumenal pude superar inúmeras dificuldades em minha vida, pude superar minhas inconstâncias e problemas emocionais. Mesmo tendo passado por muitos fracassos e por uma profunda depressão, pela qual pude passar apoiado pela fé, consegui me diplomar em Engenharia Elétrica e agora estou concluindo um mestrado.
Vejo que minha história poderia ter sido completamente outra, e muito pior, se o chamado de Deus tivesse passado em vão em minha vida. Tudo o que aconteceu de bom em minha vida foi uma obra de Deus, não um fruto de meus esforços. A única coisa que Deus constantemente me pede é renovar o meu "sim", permitir que ele continue agindo em minha vida.
As catequeses iniciais do Caminho Neocatecumenal, que precedem à formação da comunidade neocatecumenal, se iniciam com a palavra do "cego de jericó". Este cego não desperdiçou o "kairós", o momento oportuno em que Jesus passava, e gritou com todas as suas forças "Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim". É esta coragem de clamar por ele que o Senhor pede a nós, esta simplicidade e confiança que rejeita tantas fantasias maldosas que correm por aí.
Alexandre Marcelo Fernandes da Silva
Alexandre também é autor do artigo O Movimento Anti-Seitas e o Opus Dei, publicado no site Veritatis Splendor, onde constata que “o conceito de ‘lavagem cerebral’ é considerado sem valor científico por importantes e reputadas associações de psicólogos, sendo considerado um termo de conteúdo ideológico e sensacionalista”.