Amor de São Josemaria ao Romano Pontífice

 
O Fundador do Opus Dei sempre teve grande estima pelo Papa, "seja quem for". Este amor não era apenas sentimental, era fruto maduro de sua fé.

São Josemaria deixou escrito em Caminho (ponto 520):

“Católico, Apostólico, Romano! - Gosto de que sejas muito romano. E que tenhas desejos de fazer a tua "romaria", «videre Petrum», para ver Pedro”.
 


 O amor de São Josemaria Escrivá ao Romano Pontífice, ao Papa, pode ser demonstrado por vários fatos como:

- A sua chegada à Roma. Viaja de Gênova a Roma num desengonçado carro de aluguel. Chega à hora do crepúsculo. É um belo entardecer romano. Vê o rio Tibre, as fachadas róseas das casas... E ao dobrarem uma esquina da via Aurélia, avista a cúpula da Basílica de São Pedro. São Josemaria estremece e começa a rezar em voz alta o Credo, reafirmando a sua fé na Igreja e em tudo o que ela nos propõe para crer.

- Vai hospedar-se nas imediações da Basílica, numa praça chamada Città Leonina, no quinto andar de um prédio, onde subalugaram a metade do apartamento. O pequeno apartamento ganha um certo espaço com uma sacada que dá para a

Praça de São Pedro. Já era de noite quando os que acompanham São Josemaria apontam-lhe os palácios vaticanos, ali na frente, e chamam-lhe a atenção para as luzes ainda acesas dos aposentos do Romano Pontífice. Eles são praticamente os vizinhos mais próximos do Papa. São Josemaria decide não se deitar nessa sua primeira noite em Roma. Sentado no “terraço”, passará as horas em vigília, acompanhando o Santo Padre com a sua oração.

Há anos São Josemaria nutre pelo Papa um amor sincero, profundo, até entusiasta. Não se trata da admiração por um personagem famoso, distante, inacessível. Não. É a convicção de que o Romano Pontífice, seja quem for, é o sucessor de Pedro. É ele quem detém nas suas mãos as chaves do Reino de Deus. É ele quem abre e fecha os céus. É ele, com palavras de Santa Catarina de Sena, que São Josemaria saboreia, il dolce Cristo in terra (o doce Cristo na terra). Ou, com mais força ainda, o Vice-Cristo, o vigário de Cristo, quem ocupa o seu lugar na terra. Escrivá só quer ver nele “Cristo na terra”. Neste sentido, chega até a falar de “paixão”:

“O amor ao Romano Pontífice deve ser em nós uma formosa paixão, porque nele vemos Cristo”

 
Depois, em Villa Tevere (sede central do Opus Dei), fez colocar uma lápide com uma bela inscrição latina, que é como uma declaração de seu amor ao Papa:

O QVAM LVCES
ROMA
QVAM AMOENO HINC RIDES PROSPECTV
QVANTIS EXCELLIS ANTIQVITATIS MONVMENTIS
SED NOBILIOR TVA GEMMA ATQVE PVRIOR
CHRISTI VICARIVS
DE QVO
VNA CIVE GLORIARIS
A MDCCCCLI

Como brilhas, Roma!
Como resplandeces daqui, em panorama esplêndido,
Com tantos monumentos maravilhosos de antiguidade!
Mas a tua jóia mais nobre e mais pura é o Vigário de Cristo,
De que és a única cidade que se gloria.

Como São Josemaria tinha sonhado com Roma, em estar mais perto do Papa!:

- Durante anos, todos os dias, pelas ruas de Madri, rezara o terço "pela pessoa e intenções do Romano Pontífice".

- E também, como tinha deixado escrito: "situava-me com a imaginação junto do Santo Padre, quando o Papa celebrava a Missa... Eu não sabia nem sei como é a capela do Papa; mas, ao terminar o meu terço, fazia uma comunhão espiritual, desejando receber Jesus sacramentado de suas mãos".

Sentia uma santa inveja por aqueles que tinham a sorte de estar perto do Santo Padre, porque - dizia - "podem abrir-lhe o coração, porque podem manifestar-lhe a sua estima e carinho".

Quando falecia um Papa, e a sede ficava vacante, como no caso de Pio XII, São Josemaria se sentia como um orfão, e pedia para as pessoas da Obra que rezassem e oferecessem o trabalho e sacrifícios pelo futuro Papa.

E, assim que saia a fumaça branca avisando a escolha de um novo Papa, o Santo se ajoelhava e começava a rezar. Oremus pro beatíssimo Papa nostro... "que Deus o guarde e lhe dê alento, que o faça feliz na terra e o livre dos seus inimigos".

Em 1965 disse : "Ontem estava muito emocionado; emocionei-me sempre: com Pio XII, com João XXIII, e com Paulo VI, porque tenho fé". Cada uma dessas ocasiões será sempre um evento singular, extraordinário e até celebrado como "festa" pelos habitantes de Villa Tevere. Nesses encontros, longamente preparados na sua oração pessoal, Escrivá mostra-se simples e sincero, como um filho diante de seu pai. No entanto, longe de se acostumar a essas audiências, não consegue deixar de emocionar-se, de comover-se, não consegue impedir que as lágrimas lhe enevoem os olhos, que sinta um nó na garganta, que lhe tremule a voz na presença do Vigário de Cristo.

Ao estar com o Santo Padre tem fé de que está com Pedro, e como disse muitas vezes: "Queremos estar com Pedro, porque com ele está a Igreja, com ele está Deus; e sem ele não está Deus".

São dele as palavras: "Amai muito o Padre Santo. Rezai muito pelo Papa. Querei-lhe muito. Querei-lhe muito! Porque necessita de todo o carinho dos seus filhos. E isto é algo que eu entendo muito bem: sei-o por experiência, porque não sou como uma parede, sou um homem de carne".

Um amor que não era apenas sentimental. Aconselhava em 1965: "O nosso maior amor, a nossa maior estima, a nossa mais profunda veneração, a nossa obediência mais rendida, o nosso maior afeto há de ser também para o Vice-Deus na terra, para o Papa. Estai muito perto do Romano Pontífice, il doce Cristo in Terra: segui dia-a-dia os seus ensinamentos, meditai-o na vossa oração, defendei-os com a vossa palavra e a vossa pena (os vossos escritos)".

Certa vez disse a algumas pessoas da Obra: "Quando fordes velhos, e eu tiver prestado contas a Deus, direis aos vossos irmãos como o Padre amava o Papa com toda a sua alma, com todas as suas forças".

Desde muito cedo, Escrivá quis romanizar o Opus Dei. Por isso, sem dispor de meios econômicos, abraça a aventura de erigir em Roma a sede central do Opus Dei. E também, em Castelgandolfo, junto de Roma, o Colégio Romano de Santa Maria; e, em Cavabianca, o Colégio Romano da Santa Cruz: por um e outro passarão sucessivas levas de mulheres e homens da Obra, para licenciar-se em Humanidades, Direito Canônico e Teologia.

Quando uma das suas filhas ou filhos chega a Roma, quer seja de passagem quer para trabalhar, Escrivá pergunta-lhe: "Já foste a São Pedro? Não? Então, que alguém te acompanhe quanto antes... Digo-te o itinerário que costumo seguir? Em primeiro lugar, vou à capela do Santíssimo: ali faço uma 'visita' e uma comunhão espiritual. Depois, saúdo a Virgem no altar do Soccorso. A seguir, rezo um Credo ajoelhado diante do altar da Confissão... Talvez todos os outros estejam de pé, mas a mim dá-me devoção rezar ajoelhado... Ah, ao saíres, envia um postal aos teus pais. Ficarão encantados de recebê-lo, com o carimbo vaticano".

Pode-se dizer que Escrivá quer impregná-los a todos dessa romanidade que ele entende como catolicidade de alma, como universalidade de mente e, sobretudo, como amor leal ao Papa, "seja quem for".

Equipe do Opus Alegria  

Fonte: livro "O homem de Villa Tevere – Os anos romanos de Josemaria Escrivá", de Pilar Urbano.

 

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