Guia para discernir serenamente entre o perfume de Deus e o odor do diabo
Quando algum católico (ou que se diz católico ou cristão) fala ou escreve sobre a Igreja, sobre a hierarquia da Igreja, ou sobre instituições da Igreja e pessoas que a elas pertencem, os critérios para distinguir com certeza se age de acordo com Deus (se tem o perfume de Deus) ou de acordo com o demônio (se tem o odor do diabo) é o seguinte:
1) O perfume de Deus está presente, quando a pessoa que fala pode responder afirmativamente a estas quatro perguntas:
1. É o amor de Deus, mesmo, o que me move a pensar, falar e agir assim? O "ágape" de Deus - visível, como diz Bento XVI, no amor e misericórdia do Coração de Cristo na Cruz - transparece em todas as minhas palavras e juízos?
2. Posso dizer que para mim, como para São Paulo, "o viver é Cristo" (Filip 1, 21), ou seja, que não procuro a minha glória, nem a vaidade, nem a satisfação do orgulho ferido, nem a afirmação da minha liderança ou superioridade, nem ambições egoístas, nem o desabafo da raiva pessoal, nem a vingança, etc?
3. Esses meus pensamentos, sentimentos e palavras a respeito dos outros (Igreja, hierarquia, instituições, católicos, etc.) "caberiam no Coração de Maria", isto é, seriam compatíveis com a santidade, a pureza e a bondade do Coração de Nossa Senhora?
4. Tenho compaixão dos que falam mal e procuram fazer mal à Igreja, a instituições da Igreja, a outros irmãos católicos ou a mim mesmo; e me esforço por perdoá-los de coração e por rezar por eles, como Cristo na cruz (Mat 5, 44 e Luc 23, 34)?
2) O odor do diabo, pelo contrário, está presente na pessoa que fala manifestando os seguintes sentimentos e atitudes:
1. Ter ódio, que é a antítese de Deus, que é Amor (I Jo 4, 8). Ódio às pessoas ou às entidades de que fala mal; um ódio que se percebe porque fala de forma agressiva, rancorosa, vingativa, truculenta e com desprezo, e com desejo de contagiar essa aversão a muitos (I Jo 1, 11).
2. Proferir mentiras, deturpações da verdade; calúnias inventadas, malabarismos mentais e verbais para dizer que o branco é preto, a bondade é perversidade e o bem é mal. Jesus diz, precisamente, que o demônio é o "pai da mentira" (Jo 8, 44).
3. Desejo de demolir, de destruir, de acabar com pessoas ou instituições. Jesus diz que o demônio é "homicida", ou seja, que quer matar, arrancar de raiz e destruir (Jo 8, 44); e São João afirma que "quem não ama permanece na morte" e que "quem odeia seu irmão é homicida" (I Jo 3, 14-15).
4. Incapacidade de falar com um mínimo de caridade, serenidade e compreensão das pessoas que se julga que falharam, e se pretende criticar e corrigir. Esse traço nota-se em que nunca se reconhece nada de bom e louvável nelas, só se sabe acusá-las (a palavra "diabo", na Bíblia, significa "acusador").